quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Para os netos

"Vovô, vovó, chegamos para brincar com vocês! Podemos passear de caminhão?"
Não, meus netinhos, hoje não! Respondeu Astrogildo.
Vovó Astrogilda acolheu com bondade seus 3 netos e começou a contar a história pela qual passara essa semana.

Casalzinho Astrogildo e Astrogilda (nomes fictícios) são um inseparável casal de septuagenários que vivem pra lá e pra cá no seu Mercedinho 65 (M.Benz/1111 ano modelo 1965) fazendo uns fretes para complementar a aposentadoria. Dia desses este guarda que vos conta essa linda história de amor, fez a abordagem desse veículo defronte a Unidade Operacional PRF na qual labuta e dentre as observações, verificou que aquela senhora que viajava como passageira utilizava um tirante velho e quase imprestável tido como cinto de segurança. Ocasião em que alertou sobre o correto uso do dispositivo, reforçando a necessidade de ter aquele equipamento obrigatório em condições de funcionar caso fosse acionado (frenagem severa ou acidente). Sem maiores alterações, veículo liberado para seguir viagem.
Dois meses depois, na mesma Unidade Operacional PRF, acionamento via central para atendimento de acidente de trânsito há 80Km de distância, de madrugada, informando colisão entre 2 caminhões com derramamento de carga sobre a pista de rolamento. No local, observou-se que a colisão traseira causada por um "cochilo" do motorista do bitrem, atingiu a traseira de um Mercedinho 65 e, por coincidência, os ocupantes deste era seu Astrogildo e dona Astrogilda; graças ao bom Deus, ilesos (apesar do grande estrago averiguado no veículo).
Sinaliza, corre daqui e de lá, conversa com um e outro até que o acidente começa a se desenrolar (guinchos acionados, determinada limpeza da pista e etc). Nesse ínterim seu Astrogildo se aproxima e comenta com este desmemoriado "guarda" sobre sua abordagem há 2 meses na Unidade Operacional PRF e frisa: "acho que foi o senhor que me atacou (aqui eles falam abordar = atacar) e falou do cinto de segurança". Demorei alguns minutos para lembrar, mas quando tive aquele estalo, pude constatar que aquele casalzinho que ali estava íntegro, era aquele para quem eu tinha discursado (rs) há algum tempo; consequentemente concluímos que foi fundamental para o resultado do acidente (no que diz respeito às condições físicas) o uso do cinto de segurança. Dona Astrogilda fez questão de destacar que após a minha abordagem (ou ataque, hahahaha), seu Astrogildo fez questão de comprar um dispositivo novo e instalar em seu veículo para que pudessem usá-lo corretamente e, por conseguinte, manterem-se vivos.
Presunçoso não, mas tenho absoluta certeza que se hoje os netinhos podem chegar na casa de seu Astrogildo e dona Astrogilda para abraçá-los, é porque minimamente minha intervenção teve um resultado. Se recebem o "não" do vovô Astrogildo para passear de caminhão, é sinal que a informação passada a ele sobre a lotação do veículo (capacidade de passageiros - com cinto de segurança, inclusive) foi considerada e o conceito absorvido.
Obrigado por provarem mais uma vez que o saber não ocupa espaço e que nunca e tarde demais para aprender (e ficar vivo por mais tempo).

PRFoxxx

Hoje é dia de Joaquim

Bastaram 10 minutos para aquele garotinho marcar minha história na polícia, deixar sua expressão na minha história de vida (tenho que segurar o choro para continuar a digitar).


Contextualizando

Depois de 2 anos sem participar de operações/de viajar (por opção própria), agora no mês de Outubro fui convidado e tive a oportunidade de atuar como monitor numa Operação Temática de Combate aos Crimes Ambientais. Como entusiasta da causa, fiquei extremamente empolgado em poder operar novamente com grandes parceiros e conhecedores do assunto, difundindo/trocando conhecimento sobre o tema e compartilhando experiências com colegas da turma nova (que acabou de virar semi-nova com a nomeação de vários policiais esta semana).
Foram 10 dias incríveis tanto na parte teórica quanto na prática. Visitei uma delegacia que eu tinha muita curiosidade em operar, revi amigos, tive uma excelente estadia na cidade e ainda fiz preciosas fotos e vídeos (grande parte da experiência da viagem deve ser registrada).
Nada muito excepcional até o dia de ir embora, quando nos foi passada uma missão de trocarmos a viatura disponível por uma que acabara de ficar pronta numa oficina especializada. Ao sair do local, percebemos que a viatura necessitava de uma revisãozinha para iniciar a longa viagem de 500Km. Passamos num auto posto para abastecer, verifica condições do motor e, claro, calibrar os pneus!

O encontro
Foi aí que conheci o Joaquim. Um garotinho tímido de 6 anos de idade que na borracharia encontrava-se acompanhado de seu avô (que tinha veículo passando por reparo). Enquanto aguardava o borracheiro calibrar os pneus, desembarquei do viatura ao ver aqueles olhinhos curiosos e fui até ele, que de imediato quase que encolheu-se e postou-se ao lado do avô, que o confortou e falou: "não precisa ter medo, filho". Joaquim comentou: "polícia, briga".
Não formou uma frase, mas foi compreendido, sobretudo porque observei que ele usava aparelho de surdez e imediatamente concluí que tem limitação na fala. Seu avô então começou a se justificar para mim (como se fosse necessário), alegando que o receio do garoto era fruto de uma doutrinação de seus pais, que o fizeram associar o policial a figura do medo, do temor irracional. Como eu não me surpreendo com isso me aproximei e fiz o contato, apertei sua mão, o deixei confortável, troquei algumas palavras e o fiz sorrir.
Acredito que naquele momento da aproximação e da quebra do estereótipo do "polícia que briga", que agride, consegui ganhar um aliado na construção de uma sociedade melhor. Não por acreditar que aquele garotinho um dia vá querer ser policial (quem sabe... melhor não), mas sim por sonhar que a geração do meu filho surgirá com conceitos melhores, com senso crítico para saber que o mal da sociedade é o bandido/infrator, não a polícia (que teve lá seus deslizes históricos); crescerão sabendo que somos aqueles da sociedade que escolheram como emprego/fonte de renda, a nobre ocupação de cuidar do coletivo, de dar a vida pelos ingratos.

O adeus
Saí dali com a grata satisfação de saber que atingi a inocência de uma criança para desmistificar uma máscara que eu nunca usei, que destruí um rótulo que nunca aceitarei. Desculpe seus pais pelo mal que te fizeram na tentativa de acertar. Obrigado Joaquim.

PRFoxxx

Uns mais que os outros

Índios, MST e caminhoneiros quando invadem a rodovia para mim são todos iguais! Entra mês, sai mês, é a mesma p*taria que enfrentamos frequentemente.
Não vou nem entrar no cerne da coisa porque senão vou ter que conduzir um raciocínio sobre cultura e política que eu estou longe de ter capacidade de desenvolver, mas falemos de direitos, já que estamos no país onde muito provavelmente essa palavra foi inventada (ao passo que desinventaram o dever).
O Direito de Manifestação na Constituição Federal de 1988:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente

- Pacificamente: índios não sabem o que é ato pacífico (não porque desconhecem o conceito, apenas o ignoram), dominam a arte de querer ganhar no grito. MST aprendeu com os índios e aperfeiçoou a cartilha com o histórico dos comunistas baderneiros de centrais sindicais e demais movimentos classistas a arte de ganhar no grito, mesmo sem ter pauta plausível. Caminhoneiros análogos aos índios, sem ordem, sem pauta, e o pior: sem liderança; acham que vão parar o Brasil pelo Whatsapp.

- Sem armas: índios? ouse apontar uma arma letal para um índio (mesmo que esteja sob a mira de dezenas de flechas; alternadamente às flechas verá câmeras digitais (fornecidas pelas ONGs) prontas para um flash, ou melhor, um vídeo em 4k para visualizarem cada letrinha do seu nome no uniforme para levar ao MPF suposta denúncia de abuso policial (só não captam a vergonha e o medo aqui dentro dessa fantasia de super herói). MST e suas poderosas foices procurando incansavelmente um pescoço (já que em mato/capoeira elas nunca atingirão). Caminhoneiros e suas naves de 74 toneladas (desconsiderando o excesso de peso que TODOS eles trazem) prontos para patrolar qualquer um que ouse afetar seu intento (de para o Brasil, de depor presidente, de qualquer coisa, eles não sabem o que querem da vida...)

- Em locais abertos ao público: o Brasil tem um grave problema cultural de base, que é confundir o bem público como bem de ninguém, quando na verdade deveria ser o bem de todo mundo; por conseguinte, a ser valorizado como sagrado por ser da coletividade. Índios, MST e caminhoneiros não podem ser diferenciados nesse ponto. Abertos ao público: a todos aqueles que precisam usar a rodovia (e a motivação de nenhum é maior/mais valorosa ou importante que a do outro).

- Independente de autorização: autorização está dada pela própria Constituição e pela construção do Direito garantista brasileiro. Índios, MST e caminhoneiros tripudiam na cara do trouxa usuário da rodovia!

- Prévio aviso a autoridade competente: Índios brotam de dentro do mato e jogam pedras na rodovia; MST vem de pau de arara e jogam móveis velhos sobre a pista, ateiam fogo e, quando apresentam algum ofício comunicando interesse de manifestar o "seu direito", é intempestivo, mal e porcamente redigido num pedaço de papel de pão (pior, assinado por um detentor de OAB - que mal vale o pão sujo o qual era embrulhado por esse papel). Caminhoneiros não pedem autorização, pois eles são biltres e vão consertar o Brasil na marra (pois quase que em sua totalidades são oriundos dos estados separatistas) - prepotência pouca é bobagem.

Onde eu quero chegar? Estou envergonhado de viver num cenário onde todo mundo pode chegar na minha casa e bater barraca na porta, cagar e urinar no meu quintal e quando resolve sair, larga o seu lixo fétido.

Sou um policial rodoviário federal que trabalha num posto isolado no extremo de um estado que faz fronteira com o Brasil e o Pará, que tem efetivo frequente de 2 policiais/plantão para cuidar de 280Km de rodovia federal com demandas diversas, mas que não está aguentando mais ver uma aberração institucionalizada: bloqueio de rodovia.
"Ah seu guarda, mas eles tem autorização para fazer isso?" Não tem, senhor. Muito pelo contrário, isso é ilegal, senhor. "E por que vocês não fazem nada, não tem ordem para isso?" Não temos ordem, muito pelo contrário, a desocupação da rodovia é ato auto-executório, independe de autorização, senhor, mas não temos os meios necessários para fazê-lo; faltam recursos, primariamente humanos, depois materiais para ao menos tentar.

Temos uma chefia regional que esgota as tratativas no âmbito político, quando na verdade deveria ser extremamente técnico/legal. Temos que engolir o discurso de que o diálogo deve prevalecer sobre o Uso da Força. Com essa postura covarde e politicamente correta, abre-se (arreganha-se) uma porteira para que qualquer meia dúzia de zé ruelas por capricho/vaidade invada a rodovia para levar seu pleito para a mídia, ainda que para isso toda uma região seja prejudicada, ainda que isso abra espaço para terrorismo midiático (desabastecimento e etc).
Até quando? Para que?
Ficam as perguntas.
Já tratei disso aqui anteriormente, mas volto a bater na tecla: quando os caminhoneiros fizeram a "onda de protestos" ha alguns meses, por que houve uma judicialização da causa do dia para a noite? E por que agora, mais uma vez ao apagar das luzes, o governo fez uma manobra legal para "entubar" os caminhoneiros que protestam e os que coordenam? O CTB é arrombado de falhas, mas de repente, sem uma discussão prévia e amplo estudo, implanta-se uma mudança para atingir interesse específico, deixando de lado causas mais urgentes e impactantes no trânsito.

Sinceramente, me recuso a acreditar que o executivo um dia teve algum interesse em trabalhar em função da sociedade. Não que eu esteja com dó dos caminhoneiros, mas se é para ferrar, que se faça com os índios e o MST também! Ops, como vão multar esses 2 grupos?

PRFoxxx

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Policiofobia

 "A policiofobia é uma construção cultural que pode ser conceituada como a promoção sistemática do ódio, da aversão, do preconceito, do descrédito e da desmoralização dos profissionais de segurança pública do Brasil.
Ao contrário do que imagina o senso comum a policiofobia não é consequência da violência policial ante a população de periferia, e tampouco é uma resultante do período do regime militar. A população de periferia historicamente nunca teve voz e a maioria dos policiais de hoje sequer viveram ou tiveram alguma ligação direta com o período dos chamados "anos de chumbo".
Ela é, na verdade, uma construção artificiosa e ideológica de setores da política, da mídia e da academia, e é propagada, em regra, por indivíduos das classes média e alta que, no alto de suas torres de marfim, nunca sofreram abusos ou violência de policiais.
Não se pode negar, entretanto, que em meio ao efetivo das polícias exista uma minoria de psicopatas, corruptos e demais espécies de bandidos de farda, mas ninguém deseja mais que estes sejam excluídos, processados e presos do que a grande maioria de policiais honestos e de bem que tem a sua reputação profissional maculada pelas transgressões e crimes dos maus policiais. Mas é importante dizer que em nenhum outro grupo profissional o todo é julgado pela parte através de uma maliciosa e sistemática campanha de desmoralização.
Não faz muito tempo em que a mídia brasileira abordava o trabalho policial se não de uma forma positiva, mas, pelo menos, de uma forma neutra que possibilitava ao homem comum fazer um juízo de valor solidário aos homens e mulheres que arriscam a vida nas ruas na nobre missão servir e proteger a sociedade. De uma hora pra outra fatos isolados começaram a ganhar destaque e serem superdimensionados. A grande maioria das ações policiais - legítimas por natureza - passaram a ser solenemente ignoradas, de uma forma que hoje quase toda a cobertura do trabalho policial na grande mídia é em forma de pauta negativa. As séries e filmes policiais que exaltavam a humanidade, o heroísmo e a bravura desses profissionais sumiram e hoje é praticamente impossível encontrar uma produção cultural onde o personagem policial tenha razão.
Como os militares voltaram para os quartéis após a redemocratização a polícia passou a ser o bode expiatório preferido de pseudointelectuais da academia e da política que, para promoverem a “luta de classes” através de um revanchismo tardio e descabido, fomentam abertamente à tolerância( e o estímulo moral) ao banditismo e, por conseguinte, a criminalização da atividade policial legítima.
O produto cultural destas ações é a grande inversão de valores que produz hoje no país a enorme sensação de impunidade que fez explodir a criminalidade. Essa mentalidade que odeia a polícia “opressora” invadiu também o judiciário já nos bancos universitários, e os policiais foram empurrados assim para uma legalidade que, de tão estreita, virou uma espécie de corda bamba onde se o policial age é acusado de abuso e caso se omita é acusado de prevaricação. Operou-se a assim um verdadeiro desmonte do arcabouço jurídico de proteção à atividade policial. Hoje no Congresso Nacional, por exemplo, partidos políticos que sobrevivem da promoção do caos patrocinam projetos que querem acabar com auto de resistência e com o crime de desacato o que, se concretizado, sepultaria de vez a polícia e entregaria o Brasil de bandeja ao crime.
Em países de cultura sadia o heroísmo e a bravura da polícia são estimulados. Policiais que trocam tiros com bandidos perigosos são aclamados e valorizados, e não são raras as vezes que são promovidos por bravura pelas autoridades constituídas. No Brasil a mesmas ações resultam sempre numa presunção de culpabilidade de forma que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um policial ter, por exemplo, uma legítima defesa putativa reconhecida pelo judiciário. Ao policial brasileiro é presumido quase sempre o erro, a má fé, o excesso, o abuso e, muitas vezes, o crime. Abandonados pelo Estado e escutando apenas a parte esquizofrênica da sociedade que os condena, os policiais ficaram entregues à própria sorte e, por isso, são jogados à omissão.
O fomento da desmoralização da polícia ante a população menos letrada produziu também um paradoxo: se a polícia é violenta, ela deveria provocar medo e respeito na população e na criminalidade. Não é o que acontece. Se multiplicam as ocorrências em que pessoas desrespeitam a figura dos policiais e avançam sobre eles, o que tem causado mortes e lesões dos dois lados. Num passado recente era inconcebível uma pessoa sã atacar um policial armado.
Ante esse quadro, a desumanização da figura do policial veio à reboque. É possível observar uma certa psicopatia no ar ao ver que a sociedade não demonstra nenhuma empatia com os operadores de segurança pública que tombam assassinados por marginais. É como se o discurso hegemônico de proteção ao banditismo e criminalização da polícia produzisse uma Síndrome de Estocolmo coletiva, onde os indivíduos passaram a ter simpatia por seus algozes e odiar seus protetores, assim como ovelhas que odeiam cães pastores e sorriem simpáticas para os lobos que as devorarão.
Não se combate a criminalidade vestindo camisas brancas e pedindo paz. Nenhum bandido abandonará o crime e se tornará um trabalhador por causa disso. É preciso que a sociedade entenda em sua plenitude o velho adágio romano: si vis pacem, para bellum, que, nos dias de hoje, significaria: se queres paz, apoie a polícia. É preciso sustar o cheque em branco da impunidade e da hipocrisia e valorizar os soldados cidadãos que, ao fazer o enfrentamento direto ao crime, tentam devolver as ruas do país às pessoas de bem."

Autoria: Filipe Bezerra é Policial Rodoviário Federal, bacharel em Direito pela UFRN, pós-graduado em Ciências Penais pela Anhaguera-Uniderp, bacharelando em Administração Pública pela UFRN e membro da Ordem dos Policiais do Brasil

domingo, 20 de setembro de 2015

Vislumbrando o caos

Ao responder um leitor em publicação anterior, fiz de forma sucinta minha avaliação do cenário nada favorável daqui para frente para a PRF.
O Blog Dentro da Viatura na verdade não foi criado especificamente para ser um convite ao ingresso na PRF, mas acabou tendo essa finalidade para alguns leitores. Eu gostaria mesmo é de incentivar as pessoas a irem atrás de seus sonhos, sejam eles quais forem... o meu era entrar na PRF e, apesar dos pesares, ainda não morreu agora que estou aqui dentro sem pretender sair.
Por falar em sair, o d*abo dentuço está judiando do funcionalismo público, sobremaneira o Executivo Federal.
Não sai nada que presta da mesa de negociação com o MPOG.
Não sai a reestruturação da carreira (que é de Nível Superior para ingresso e exercício das atribuições do cargo), mas a remuneração continua de Nível Médio.
Não sai a reposição remuneratória das perdas decorrentes da (subestimada) inflação, que está previsto na Constituição Federal.
E o pior: não sai do poder essa cambada desgraçada que está levando o país para a lama (não só em termos de Economia, mas a degradação social é grande). Não estou falando de PT, tá?! É de todo mundo (PMDB, DEM, PSDB e todos os P da Pátria que pariu).

Para a PRF, o que isso representará, na minha visão:
- Sem reposição salarial e sem reestruturação de carreira, vários dos novos servidores (2 últimos concursos) tendem a pular para outro cargo (isso se houver oportunidade, pois até no enforcamento de outros concursos o desgoverno aprontou)
- Sem abono de permanência, vários dos servidores antigos que estão para se aposentarem (sobremaneira a enorme Turma de 1994) não permanecerão no quadro
- Sem novo concurso ou convocação de turma remanescente do concurso vigente até Maio/2016 (se não me engano), atrelada a saída da turma 94, o quadro (que já é reduzidíssimo, pra não dizer vergonhoso) encolherá a números absurdos e o efeito-cascata será catastrófico (fechamento de postos, PRFs trabalhando sozinhos em plantões de 24hs ou mais e etc)
- Com o aumento das demandas já existentes (frota cada dia maior, aumento do número de acidentes e etc), além do surgimento de outras (lavratura de TCO e etc) sem as devidas contrapartidas (remuneração, reconhecimento e otimização dos recursos materiais/humanos), os servidores que ainda resistirem no campo de batalha tendem a cruzar os braços pela justa impotência de cumprir o propósito de servir bem a sociedade. Sem atendimento: aumento da criminalidade, aumento do número e gravidade dos acidentes, sem contar a degradação de todos os aspectos da prevenção e fiscalização que um órgão federal de Segurança Pública, uma Polícia Ostensiva, pode oferecer.
- Com a redução do potencial dessa polícia, cai ainda a arrecadação (infelizmente a fiscalização implica em autuações que vão para os cofres públicos para serem mal geridos por políticos distantes da realidade do brasileiro médio) e aumentam os custos sociais (saúde pública e reflexos da criminalidade).

O que fazer? #ValorizarÉPreciso

PRFoxxx

De muita fé

História de Rodovia - A obreirinha
 
Fiscalização em frente a Unidade Operacional, eis que vem um automóvel em velocidade incompatível e, obviamente, foi parado para verificação. Jovem senhora, bem aparentada, veículo em seu nome e alegava não estar portando sua CNH; no mais, sem alteração.
Consulta aos sistemas de informação, verificou-se tratar de condutora não habilitada, que ao ser desmentida, caiu no choro e começou a proferir lamúrios típicos de evangélicos (lembrando, a autoria é agnóstica), que são bem peculiares. Pouco depois, já conformada com a traulitada de R$ 574,62, sentou-se para aguardar o seu salvador (não Jesus, o condutor habilitado para levar seu veículo), começou a questionar várias coisas, como por exemplo: "por que vocês abordam uns veículos, outros não?". Respondido de pronto que há critérios objetivos e subjetivos para a fiscalização que ela não saberia para não estragar o efeito surpresa (claro que não, é para não comprometer a segurança orgânica); obviamente tive que falar a frase clássica: "senhora, na fiscalização nada é por acaso". Adiante ela ia entender...

Algumas abordagens depois, eis que um casalzinho de moto (estilo V1d4 L0k4) se apresenta, a mocinha um tanto expansiva fala alto e pela voz é reconhecida pela obreirinha do parágrafo anterior. A obreirinha, de forma bem discreta, se aproxima de mim com cara de espanto e diz: "seu guarda, essa moça está fugindo de casa, ela é menor de idade e tenho certeza que a mãe dela não deixou ela viajar; somos irmãs da mesma igreja". Levantamos então junto a família da jovem que ela tinha 15 anos e realmente viajava sem o consentimento da mãe/responsável legal e demos viabilidade a intervenção baseada no ECA e suas nuances (agora tentei falar bonito). Ao passo que um dos policiais estava em contato com a mãe da "vítima", outro fazia levantamento da vida pregressa do jovem maior de idade, condutor da motocicleta e suposto namorado da adolescente. Eis que ele figura como réu em processo de violência doméstica contra uma jovem de 15 anos de idade, cuja sentença parcial prevê medidas protetivas devido ao apontamento de violência e ameaça do réu.

Aquela carinha de adolescente descoladinha, agora olhando para a tela do computador (que fiz questão de apresentar o inteiro teor do processo) revestia-se de espanto e perplexidade. A pergunta é: seria ela uma próxima vítima? Da nossa parte não! Ocorrência apresentada ao Conselho Tutelar do seu município de origem, instituição que já faz o acompanhamento da adolescente, inclusive pelo histórico de problemas familiares e uso de drogas.

Somente 15 anos e acreditando ser adulta, visual de mulher e cabeça de criança inocente (alheia ao fato de que bandido não anda com display de led na testa), a jovem produtinho Charlie Alfa seguiu para o carro de sua mãe cabisbaixa e reclamando de não poder, acompanhada de seu pretendente a príncipe encantado (que adora dar umas porradas em "novinha"), aproveitar a festa na cidade vizinha. Sua mãe retornará para a vigília da igreja (negligenciando a vigília constante da porta de sua casa para a entrada de vagabundos de todo gênero) e com ela a obreirinha que saiu bradando "Deus é fiel" (a bíblia fala em Deus é Fiel e Justo, mas não sei por que cargas d'água - mentira, sei sim - eles resistem em proclamar a palavra Justo) e entendendo porque eu disse a ela que "nada é por acaso"; se ela foi abordada e retida ali, é porque o Deus dela (cada fanático gosta de falar "o meu Deus", como se cada igreja tivesse o seu próprio) assim quis/permitiu. Na verdade ela saiu foi se achando a escolhida por Deus para interceder na vida daquela jovenzinha V1d4 L0k4 e com absoluta certeza utilizará nossa intervenção como "testemunho" no altar de igreja no próximo culto para ganhar holofotes (enquanto pragueja mentalmente essa equipe que a fará gastar quase 600 Dilma$ para pagar aquela multa).

PRFoxxx

Auto de Resistência

Ontem após 3 dias de treinamento de capacitação/atualização, lá estava eu a beira do tanque lavando meu uniforme imundo, meus 2 pares de coturnos velhos e meu equipamento empoeirado e esfolado quando comecei a filosofar.
Pensei: nossa, tanta gente que me vê ali de pé na pista (onde tem um sol para cada policial) e não é capaz de imaginar o que fiz/faço para estar na rodovia "pronto para" e "em condições de" bem servir a sociedade.

Não é só a Human Rights ou outras ONGs de meia-tigela míopes e covardes (que tentam sustentar o rótulo de defensoras de um mundo melhor) que assim me vêem como mais um dos 10.000 PRFs (esse número pífio); é você aí que para seu veículo num semáforo de madrugada e vê uma viatura da PM fazendo ronda, que vê uma Guarda Civil e acham que eles só cuidam do trânsito... Já dizia minha mãe: todo mundo só vê onde estamos, mas não vê o que passamos para ter chegado lá.

O curioso é que nessa mesma hora me lembrei de um conhecido meu, que fez faculdade (pelo menos se manteve na graduação sem ser jubilado) comigo e que imaginei seria um profissional da ciências agrárias como todos os outros que estavam ali "gastando" dinheiro público. O Delta Golf é filho de jornalistas, nascido em um lar provido de recursos e por obra e graça da genética nasceu de pele preta (o nome da cor é preta e biologicamente falando não existe "raça negra" - a não ser o grupo de pagode) como seus pais. Não foi escravo, não remou em porão de navio negreiro e, mesmo tendo o dinheiro que tem, nunca se interessou em fazer uma viagem à África (para visitar os países de cultura escravagista, onde uma tribo escravizava a outra e vendia os jovens/homens para os portugas, enquanto estupravam as adolescentes/mulheres).

Mesmo assim Delta Golf entrou naquela onda de bicho-grilo de universidade pública (ainda mais sendo a UnB o que é) e se enturmou com a galera alternativa. Militou em favor dos "negros" (preto em espanhol é negro, mas estamos no Brasil, falamos português...), militou em favor do MST (mesmo pegando seu carro todo dia e voltando para sua confortável casa no Lago Norte - região nobre de Brasília) e mais ultimamente enquadra-se na categoria zé povinho virtual, que faz campanha no Facebook pelo fim do Auto de Resistência e outras presepadas do tipo.

Delta Golf me conheceu relativamente bem na graduação, tenho por ele certa admiração, até porque é um sujeito de inteligência acima da média. É justamente por acreditar nessa sua inteligência que eu me frustro em imaginar que a cada campanha dessa que ele difunde, cada comentário/manifestação de sua parte ele esqueça que conheceu gente como eu. Que coloque todos no "mesmo saco" quando fala de uma polícia que só existe para matar em nome do Estado, que é uma instituição (na verdade são várias, mas eles não sabem discernir) com única e exclusiva função de limpeza étnica (para zé povinho virtual, todo preto é pobre e todo pobre é preto, bem como só quem morre em conflito é preto e por aí vai o blablabla de que aqui temos a polícia mais letal do mundo).

Delta Golf precisaria de alguns anos (acredito que nem toda sua vida será suficiente) para começar a entender de segurança pública com visão de mundo real, pois atrás de uma tela de computador ou coberto por uma camisa vermelha com o rosto de Che Guevara fica praticamente impossível de ele imaginar como é o lado de cá. Horas na frente do computador não o deixariam com os olhos ardendo como os meus estavam quando recebi um jato de spray de pimenta na capacitação para uso desse dispositivo de menor potencial letal (porque os DH sugerem que sejamos cobaias na capacitação que é "para não banalizar o uso do equipamento/armamento". O uniforme vermelho que eu estava lavando na hora que decidi fazer essa publicação, não tem rosto de revolucionário bolivariano, tem a cor da terra onde eu tive que me jogar e rastejar enquanto segurava armas e realizava tiros reais simulando confronto com os marginais que você defende quando milita pelo fim do Auto de Resistência, Delta Golf. Os coturnos surrados e o equipamento (colete balístico, cinto, coldre, porta-objetos e etc) que eu estava lavando é para minha apresentação pessoal como "cão do Estado, opressor e cruel" como você me conheceu na graduação, lembra? Acho que não, mas dos seus parceiros de grupos de discussão sobre reforma agrária que hoje são segunda linha (nunca vão para o fronte) do MST, tenho certeza que por eles tem enorme admiração.

Sobre os Autos de Resistência
Sinceramente acredito que não tenham policiais na sua família, pois do contrário você saberia a diferença entre aquele que confronta o Estado, que mata por dinheiro, que é violento ao extremo para conseguir uma pedra de Crack, daquele que abre mão do convívio com a família para se capacitar, para aperfeiçoar as técnicas e oferecer um serviço de qualidade para a sociedade, daquele que poderia estar lá na sala brincando com o filho como eu, mas estava a beira de um tanque dando um trato no equipamento e fazendo manutenção no armamento. Armamento? Para que armamento? Se na sociedade que você acredita estar vivendo o policial não tem o dever de te proteger, de se proteger (tem que esperar vir o primeiro tiro para poder reagir)? Para que Auto de Resistência, se é mais fácil condenar sumariamente um policial que matou em confronto (isso se ele ficar vivo após o primeiro tiro, o do bandido)? Para que deve existir o devido processo legal se estamos tratando de polícia, que é instituição feita de seres desumanos, que não tem família, sentimentos, não tem vida?

É meu amigo (amigo o caralho, ninguém quer ser amigo de policial), torço, rezo e trabalho todos os dias para que pessoas como você não tenham que aprender da pior forma como é que as coisas funcionam aqui no mundo real. Infelizmente algumas pessoas não voltam para contar a história e ajudar a fazer história quando são vítimas da violência, e pode ter certeza que quase a totalidade dessas pessoas não estavam nas linhas de um Auto de Resistência, pois eram cidadãos de bem e não um filho da puta que "perdeu" ao enfrentar uma polícia capacitada, formada por combatentes que tomam spray de pimenta na cara, tiro de Taser ou ralam dias seguidos num estande de tiro com armas calibre .40 para enfrentar os protegidos dos DHs que desfilam com fuzis 7.62.

PRFoxxx